Do Desfile à Dança: Um Gaúcho que Bate no Ritmo do Samba e do Fandango
Muitos pensam que a cultura gaúcha é uma coisa só. Que a gente vive de bombacha, chimarrão e dança de fandango. E sim, a gente ama tudo isso! Mas a minha vida é a prova de que o coração de um gaúcho bate no compasso da gaita e, no mesmo instante, no ritmo da bateria.
Tenho em minhas veias o sangue dos lanceiros negros, e é com essa história de luta e bravura que eu construo a minha identidade. Fui Rei Momo do Carnaval de Canoas, e a coroa que usei na folia não pesou na hora de colocar o lenço no pescoço para as danças gaúchas. Acredite se quiser: tive a alegria de acompanhar a fundação de muitos Centros de Tradições Gaúchas (CTGs) pela cidade e, ao mesmo tempo, vi nascer diversas escolas de samba. É como ter um pé na história e o outro na festa!
Essa conexão com a tradição é tão forte que eu estive na primeira Semana Farroupilha de Canoas e, desde então, não perdi nenhuma edição. Ver a cidade celebrar a nossa história, a nossa gente e a nossa cultura é um momento que me emociona todos os anos. É uma pausa para lembrar de onde viemos e celebrar quem somos.
Hoje, como professor de danças gaúchas, vejo nos olhos dos meus alunos a mesma paixão que me move. Eu ensino a cadência do xote, a elegância do fandango e a alegria da chimarrita, as figuras de um chamamé, a leveza da valsa, a bailada festeira de uma polonesia e por ai vai. Mas, ao mesmo tempo, a minha alma de sambista vive na efervescência da avenida. É a criatividade das fantasias, quando eu canto o enredo que conta uma história que eu mesmo escrevi e a batucada que faz o chão tremer.
Essa dualidade não é uma contradição. É a maior riqueza da nossa cultura. A paixão pelo que é nosso, seja a tradição que vem do pampa ou o samba que se espalha pela rua. É a união de duas grandes manifestações que celebram a nossa identidade e a nossa alegria de viver.
E é por isso que digo com orgulho: a cultura gaúcha é muito mais do que um único ritmo. Eu sou a prova viva de que o coração de um gaúcho pode bater no compasso da gaita e, no mesmo instante, no ritmo da bateria. Para mim, não existe contradição, mas sim a união perfeita entre a tradição e a folia.
Afinal, a maior riqueza do nosso Rio Grande do Sul é a diversidade e ambas devem ser respeitadas e tratadas e valorizadas igualmente!
E você, qual é a sua paixão? Me conta aqui nos comentários!
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