Na última sexta-feira, 04 de julho de 2025, o centro histórico de Porto Alegre foi tomado por ideias, afetos e provocações durante o 9⁰ Encontro de Bibliotecários promovido pela Editora Paulus. Um encontro que mais parecia um abraço coletivo, reunindo nomes que seguem firmes na luta por uma educação viva, popular e cheia de sentido.
A querida Adriana Bitencourt Machado, consultora de negócios da Paulus, foi quem organizou esse momento potente e é preciso dizer com todas as letras: foi um encontro de gente que ama livro, ama gente, e ama fazer pontes entre os dois.
E no meio dessas pontes, teve uma que brilhou forte: Mary Branchi, bibliotecária no La Salle Esmeralda e também na Biblioteca Divilas, dentro do primeiro Museu do Hip Hop do Brasil. Mary não chegou só com palavras, chegou com poesia. Começou sua fala lendo um trecho de Flores de Alvenaria, do poeta da quebrada Sérgio Vaz, aquele que planta palavra onde dizem que só nasce concreto.
E de palavra em palavra, Mary nos levou pra pensar a biblioteca como espaço de mediação, não só entre livro e leitor, mas entre arte, educação social e cultura. Ela nos convida a enxergar além das estantes:
“Lemos o mundo com os olhos da cultura”, destaca.

E aí, o coração bate mais forte, porque ela nos lembra que bibliotecários não são apenas organizadores de livros são curadores de mundos, mediadores de imaginários, coofluenciadores (sim, ela criou essa!), capazes de apresentar possibilidades através da literatura, da culinária, do vestuário, das músicas, das crenças e dos valores que constroem identidades.
É sobre estar para além do algoritmo, como quem diz: “A inteligência artificial nunca vai dar conta do que pulsa numa biblioteca viva”.
Como diria Paulo Freire, que Mary fez questão de citar:
“A leitura do mundo precede a leitura da palavra.”
E foi aí que ela nos levou pra dentro do Museu do Hip Hop, com aquele brilho no olhar de quem construiu algo com as próprias mãos e com o coração coletivo. O museu funciona num espaço que já foi escola estadual, depois municipal, e que por diversos motivos foi fechado. Mas como tudo que é feito de sonho não se apaga fácil, esse lugar renasceu como resistência.
Lá dentro, nasceu também a Biblioteca Divilas, em homenagem ao Chiquinho de Divilas, homem das margens que, mesmo “educacionalmente perdido”, encontrou caminhos de superação. Sua história representa tantas outras que se parecem com a dele. E como Mary conta, o que torna essa biblioteca viva é o fazer pedagógico Divilas, onde o livro conversa com o corpo, a música, a quebrada, a criança, o idoso, o grafite, o batuque.
Essa biblioteca pulsa porque é feita por e para a comunidade. E é por isso que ela transporta as pessoas para os diversos mundos que os autores constroem mundos onde cada leitor pode se enxergar.
Entre outras falas incríveis no evento, hoje o destaque vai pra essa potência que é ter o primeiro Museu do Hip Hop do Brasil, e dentro dele uma biblioteca tão viva, que resiste e insiste na beleza do saber partilhado.
Mary fechou sua fala com outro presente de Freire:
“É preciso que a leitura seja um ato de amor.”
E a gente sai desse encontro com a certeza: quando a biblioteca é feita com amor, ela não serve só pra guardar livros ela serve pra transformar gente. E isso, meu povo, é revolução.

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