Estar presente no I Encontro Regional de Educação Escolar Quilombola do Sudeste, em Minas Novas, foi testemunhar história plantada no chão que mais entende de resistência no Brasil. Sob o tema “Educação, Resistência e Territórios Quilombolas”, o evento reuniu quem constrói o país com as mãos: lideranças quilombolas, estudantes, mestres da tradição, CONAQ, universidades e o IFNMG.
Importante reconhecer: a concretização desse ato com a presença do atual governo federal, ministros e compromissos públicos assumidos, representa um avanço inadiável na reconstrução do Brasil, após anos de destruição do que tínhamos de mais básico. Foi, sim, um sinal de boas-novas ver esse governo colocar a questão quilombola no centro da agenda educacional, em especial por meio da SECADI/MEC.
Mas, como aprendemos com os ancestrais: reconhecer é diferente de se acomodar. Nós, do movimento, seguimos com a faca no dente e o verbo afiado.
Não nos basta o palco da diversidade. Queremos o concreto: creche, ensino básico, currículo afrocentrado, permanência estudantil, concursos específicos, infraestrutura e orçamento que atravesse o asfalto e chegue nos territórios.

Foi com essa convicção que estive ali, junto à EDUCAFRO, com o impulso radical de Frei David, que não é só nome, mas grito que ecoa em cada esquina onde o racismo insiste em negar o acesso à educação.
A EDUCAFRO é muito mais que uma sigla: é o pulmão que insufla vida na esperança dos jovens negros, quilombolas e indígenas. Ela abre portas que o sistema insiste em fechar, cria caminhos onde há muros, e prepara guerreiros para conquistar o ensino superior não para se adaptar, mas para transformar.
É essa rede que faz da educação um ato de resistência, da cidadania um campo de batalha, e da luta antirracista o norte para que nossas raízes não sejam apenas preservadas, mas floresçam em todos os cantos do Brasil.
Porque lutar pela educação quilombola é também lutar para que Frei David e todos os que encarnam essa missão continuem a construir pontes que conectem o passado ancestral ao futuro emancipatório que merecemos.
Porque se é verdade que este governo representa o retorno do diálogo democrático e do combate ao racismo institucional, também é verdade que os povos quilombolas e indígenas seguem com seus direitos negados na prática – especialmente no acesso à educação de qualidade, enraizada, contínua e emancipadora.

O Polo da EDUCAFRO no Rio Grande do Sul tem sua sede em Porto Alegre, na Avenida Independência, 796 Loja 02 - Corredor de acesso / Bairro Independência. A inauguração oficial ocorreu em 13 de maio de 2025, marcando a expansão da organização no estado. Desde então, a EDUCAFRO-RS tem promovido cursos preparatórios presenciais e capacitações para vestibulares, como o ENEM, visando inserir jovens negros e de baixa renda em instituições de ensino superior públicas e privadas. Além disso, a sede oferece suporte jurídico e ações afirmativas para garantir o acesso e permanência desses estudantes no ensino superior.
Para mais informações sobre os cursos e atividades da EDUCAFRO-RS, você pode entrar em contato com a sede pelo telefone (51) 3136-3030 (WhatsApp) ou pelo e-mail: [email protected] e o atendimento presencial é realizado de segunda a sexta-feira, das 9h às 18h.

A Carta de Minas Gerais, parida do encontro e entregue às autoridades, exige que o simbólico se converta em política pública. Ou teremos trocado a invisibilidade pelo folclore. E isso não nos cabe.
Deixo aqui minha análise-crítica, movida por esperança ativa: este governo tem chance real de fazer o que nenhum outro fez pelos quilombos; mas só fará se nós apertarmos, exigirmos e cobrarmos, como povo que não foi feito pra viver de migalha, e sim de dignidade.
Que Minas Novas não tenha sido o fim do evento, mas o início de uma era em que a educação quilombola seja tratada como eixo da soberania nacional.
Enquanto houver desigualdade, haverá luta e nela caminhamos com o verbo quente, o coração no território e aliados firmes como a EDUCAFRO, armando o futuro com amor, coragem e radicalidade.

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