Oi, eu sou o Thiago Trein. Tenho 40 anos, sou nascido e criado no estado do Rio de Janeiro, mas desde 2019 chamo Canoas-RS de casa. Minha primeira conexão com essa cidade foi no bairro Niterói, mais precisamente ali na Rua Tamoio. Foi amor à primeira vista. E de lá pra cá, ano após ano, venho me enraizando, me apropriando desse chão, dessa gente, dessa luta. Canoas me encantou mesmo não sendo perfeita, mesmo estando longe de ser a cidade dos sonhos.
No dia 27 de junho de 2025, Canoas completou 86 anos de história. E desses, eu estive presente nos últimos 6. Seis anos intensos, difíceis, bonitos e desafiadores. Vi essa cidade crescer, sofrer, chorar, se unir, resistir e florescer mesmo em meio ao caos.
2019 foi meu ano de chegada. Vi uma Canoas viva, com o comércio pulsando, conheci empresários, feirantes, comerciantes e conversei com muita gente nos bairros Niterói, Rio Branco, Harmonia, Mathias Velho, Estância Velha e São José. Senti o calor humano, a força da cidade e a esperança de quem acreditava no futuro.
Mas aí veio 2020… e com ele, a pandemia da COVID-19. A cidade como o mundo inteiro entrou em colapso. Crise na saúde, na economia, na educação. O povo, mais uma vez, teve que se virar como pôde. E era nesse momento que a gestão precisava mostrar a que veio, porque os impactos eram reais, e Canoas sentiu cada um deles.
2021 foi o ano da esperança... e do luto. Um ano de recomeço, mas também de muitas despedidas. Aqui no Sul, aprendi um ditado que não esqueço mais: "A dor ensina a gemer." E foi isso que aconteceu. Perdemos tanta gente sem poder nos despedir direito. Faltou o abraço, faltou o adeus. O luto virou um gemido coletivo, que ecoava de cada casa, de cada rua.
Em 2022, veio o tal do Ciclone Bomba. Um nome que já dizia tudo. Canoas foi atingida com força, principalmente no Estância Velha. Foi um aviso da natureza. E quem prestou atenção, já sentia que coisa pior podia vir.
2023 chegou dividindo o ano entre dois extremos: no começo, a estiagem secava tudo. No fim, chuvas e mais chuvas, enchentes, ciclones tropicais. Teve racionamento de água e bairros inteiros sem abastecimento. A crise climática já tava aí, batendo à porta. Mas o que se fez de concreto? Muito pouco...
Então veio 2024, e com ele, a maior tragédia climática da história da cidade: as enchentes. Canoas virou manchete no Brasil inteiro. Mas quem vive aqui sabe que por trás de cada número, tinha uma história, uma casa, uma vida. A dor foi enorme. Mas foi ali, no meio da lama, da perda e do medo, que o povo mostrou sua maior força. Surgiu um grito coletivo: "O POVO PELO POVO". E foi isso que segurou Canoas de pé. A empatia, o afeto e a solidariedade foram maiores que qualquer ego. Foi o povo cuidando do povo. E isso é bonito demais.
2025 não aliviou. Teve onda de calor, queimadas que deixaram o céu escuro e o ar pesado. As escolas entraram no meio de um debate enorme sobre o retorno às aulas, porque ninguém aguentava o calor dentro das salas. Logo depois veio a dengue, e o frio começou a bater e com ele, a dor de ver gente em situação de rua perdendo a vida pelo frio. E aí, de novo, vieram as chuvas. E junto com elas, a lembrança recente das enchentes. O medo voltou. E a sensação de que muito pouco foi feito pela gestão pra evitar que tudo se repetisse, também.
Esses foram meus 6 anos em Canoas. E olha… se tem uma coisa que posso afirmar com certeza, é que essa cidade tem um povo forte, solidário e cheio de coragem. Um povo que não se cala diante do descaso, que não foge da luta e que não perde a esperança, mesmo quando tudo parece ruir.
Parabéns, Canoas. Parabéns ao seu povo, aos canoenses natos e aos que escolheram essa cidade pra viver, amar e resistir. Que venham mais anos, com mais justiça, mais cuidado, mais respeito. Porque esse povo merece muito mais. E nunca vai aceitar o retrocesso.
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