Na imagem que circula entre os que ainda sonham com um Brasil soberano, a tradicional “Ordem e Progresso” dá lugar a uma frase que ecoa nas ruas, nas universidades, nas comunidades, nos campos e nas redes: “Defenda o Brasil.” Mas defender o Brasil, hoje, não é só uma pauta nacional é um gesto internacionalista, é um recado ao mundo. Porque o que está em jogo é mais do que um país: é o próprio futuro da humanidade.
No dia 10 de julho, Lula publicou um artigo histórico nos principais jornais do planeta: Le Monde, The Guardian, El País, Der Spiegel, entre outros. Mas aquele texto não é apenas diplomacia. É um manifesto contra a falência da ordem mundial. Um grito que vem do Sul global e atravessa o planeta como denúncia e esperança.
O título pode parecer técnico: “Não há alternativa ao multilateralismo.” Mas o que está escrito nas entrelinhas é explosivo: ou refundamos as estruturas globais com justiça e humanidade, ou seguiremos rumo ao colapso ambiental, econômico e ético da vida no planeta.
Lula denuncia o que muitos fingem não ver: a ONU perdeu força, a OMC foi esvaziada, os acordos climáticos viraram papel molhado. A elite mundial, protegida em seus bunkers de luxo, segue acumulando trilhões enquanto 700 milhões de pessoas vivem sem água potável e sem eletricidade. A guerra, a fome, o colapso climático e o ódio político não são acidentes são consequências de um sistema que foi desenhado para excluir.
“Não se trata de caridade. É sobre corrigir séculos de exploração, ingerência e violência”, escreve Lula.
A imagem da bandeira alterada com o “Defenda o Brasil” ganha aqui seu sentido mais radical: defender o Brasil é defender o povo do mundo. Porque se o Sul global não erguer sua voz, o Norte seguirá administrando a catástrofe com discursos bonitos e lucros indecentes.
O artigo não é um pedido de ajuda. É uma tomada de posição. É o Brasil se recusando a ser satélite. É o Sul global exigindo lugar à mesa não como coadjuvante, mas como protagonista de um novo pacto planetário.
A força dessa fala está na vivência de quem já foi tratado como descartável. De quem sentiu a fome, o preconceito, o abandono do Estado. E é por isso que ela incomoda: porque não é um ensaio acadêmico. É uma verdade vivida. É uma contra-narrativa ao colonialismo disfarçado de globalização.
Quando Lula diz que não existe como “desplanetizar” a vida em comum, ele nos lembra que não há futuro possível sem solidariedade, sem cooperação, sem justiça. E isso exige uma ruptura com as velhas estruturas tanto lá fora, quanto aqui dentro.
A bandeira azul com as estrelas da constelação do Cruzeiro do Sul continua a mesma. Mas o lema mudou. Porque “Ordem e Progresso” já não diz nada a quem tem pressa, digo isso, dentro desse contexto aqui apresentado. Agora é tempo de dizer: Defenda o Brasil com coragem, com lucidez e com horizonte.
E defender o Brasil, neste momento, é também defender o planeta.
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