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Sabado, 30 de Maio de 2026
A greve não foi por aumento:

Geral

A greve não foi por aumento:

Foi por dignidade na Educação.

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Quando parte da sociedade ouve a palavra "greve", costuma surgir uma pergunta automática: "Estão pedindo aumento de salário?"

No caso da greve dos profissionais da Educação da cidade de Canoas-RS, essa pergunta revela o quanto pouco se conhece sobre a realidade vivida dentro das escolas.

A greve não foi por aumento salarial.

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A pauta apresentada pelos trabalhadores era composta por reivindicações que impactam diretamente a qualidade da educação pública e as condições de trabalho de quem está diariamente nas salas de aula.

Os profissionais reivindicavam:

  • Reposição salarial;

  • Cumprimento da Lei 5.580;

  • Regulamentação do Piso Nacional do Magistério, incluindo o enquadramento das Técnicas de Educação Básica (TEBs);

  • Reforma do Plano de Carreira;

  • Maior celeridade na nomeação de professores aprovados;

  • Contratação dos 500 monitores para auxiliar o atendimento dos estudantes da Educação Inclusiva;

  • Manutenção das escolas atingidas pela enchente ou não, a precariedade é de tempos;

  • Criação de um grupo de trabalho permanente para discutir melhorias estruturais na Educação municipal.

Nenhum desses pontos representa privilégio. Todos representam condições mínimas para que a escola pública funcione com qualidade.

Quem está dentro das escolas sabe que a realidade é bem diferente dos discursos oficiais. Faltam profissionais. Faltavam monitores. Faltam investimentos em estruturas que ainda carregam marcas profundas da enchente. Faltam condições adequadas para garantir uma inclusão que seja efetivamente inclusiva e não apenas um conceito bonito em documentos institucionais.

Apesar das dificuldades, a greve deixou marcas importantes.

O movimento conseguiu resgatar uma força que muitos acreditavam enfraquecida: a mobilização coletiva da categoria. Educadores voltaram a ocupar espaços públicos, debater políticas educacionais e construir unidade em torno de pautas históricas.

Também houve apoio de sindicatos, movimentos sociais, profissionais da educação de outros municípios e parlamentares do legislativo estadual, demonstrando que a luta ultrapassou os limites de Canoas.

Outro resultado importante foi a denúncia de um dos temas mais graves enfrentados pela rede municipal: as irregularidades envolvendo recursos do FUNDEB e a situação de 112 educadores em desvio de função. Questões que dificilmente teriam alcançado tamanha visibilidade sem a mobilização da categoria.

Além disso, foi conquistada a reposição salarial, ainda que de forma parcelada em seis vezes, muito distante do que os trabalhadores consideravam justo.

Mas talvez o aspecto mais preocupante de todo o processo tenha sido a postura adotada pelo governo municipal.

Em vez do diálogo, muitos profissionais relatam ter enfrentado ameaças, intimidações, assédio moral e diferentes formas de retaliação. A construção de soluções coletivas foi substituída por um ambiente de tensão que desgastou ainda mais quem já enfrenta diariamente os desafios da educação pública.

Sob pressão, os trabalhadores retornaram às atividades.

Mas retornar não significa que os problemas desapareceram.

O preço pago pela categoria continua alto: cortes salariais, reposição de aulas durante dezembro e janeiro e o desgaste emocional acumulado ao longo de semanas de enfrentamento.

Ainda assim, reduzir essa greve a uma discussão financeira seria um erro.

O que esteve em disputa foi o futuro da Educação pública de Canoas.

Quando um professor reivindica mais profissionais na escola, ele está defendendo o direito de aprendizagem dos estudantes.

Quando um(a) TEB reivindica seu enquadramento no piso, está defendendo o reconhecimento de uma função essencial para o funcionamento da rede.

Quando se exige manutenção das escolas atingidas pela enchente, está se defendendo um ambiente digno para ensinar e aprender.

A greve pode ter terminado, mas as razões que levaram milhares de profissionais às ruas continuam presentes.

E uma pergunta permanece:

Se aqueles que vivem a escola todos os dias não forem ouvidos, quem estará disposto a defender a Educação pública quando ela mais precisar?

FONTE/CRÉDITOS: Thiago Trein / Sinprocan
FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): Gerado por IA
Comentários:
Thiago Trein

Publicado por:

Thiago Trein

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