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Terça-feira, 29 de Setembro de 2026
“Ela Venceu e Isso doeu nelas”

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“Ela Venceu e Isso doeu nelas”

Racismo, Inveja e Violência Contra uma Jovem Negra Após Conquistar Desfile Escolar no RS

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Aos 14 anos, uma adolescente negra, estudante de uma escola no Rio Grande do Sul, viu um sonho se transformar em dor. Após vencer um desfile escolar onde recebeu uma certificação de destaque a jovem se tornou alvo de um violento ataque racista promovido por colegas da própria escola. Em um grupo de WhatsApp e até em publicações nas redes sociais, foi chamada de “macaca preta gorda” por outras alunas inconformadas com sua vitória. O caso revela não apenas o ódio racial ainda presente no cotidiano escolar, mas também o peso de ser negra em um estado que lidera o ranking de denúncias de racismo no Brasil.

“Ela ficou desesperada, foi como se o chão tivesse aberto diante dos seus pés diante tamanha crueldade”, relata a mãe, em entrevista exclusiva.

Quando o Racismo É Disfarçado de Frustração

A mãe conta que, logo após o resultado do desfile, começaram os ataques: "As meninas que perderam não aceitaram. Uma delas falou: ‘Como essa macaca preta gorda ganhou e eu não?’". Outras adolescentes passaram a atacar o corpo da jovem, seu estilo e sua roupa, tentando diminuí-la com palavras ferinas em grupo privado de WhatsApp.

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A violência escalou: uma das mensagens foi parar nas redes sociais, intensificando o trauma. A menina, que sonha em ser modelo, viu sua autoestima desmoronar. “Ela ficou bem triste, magoada, decepcionada... com vergonha. Achava que eram colegas, e foi um choque”, afirma a mãe.

Escola e a Luta Antirracista: Onde Está o Compromisso?

Procurada, a direção da escola respondeu que havia ocorrido recentemente uma palestra sobre racismo. Mas para a família da aluna, isso é insuficiente. A pergunta que ecoa é: onde estão os projetos contínuos, os compromissos reais com uma educação antirracista que ultrapasse o 20 de novembro?

O caso mostra que ações pontuais não são capazes de proteger estudantes negros. O racismo não tem data para acontecer  e tampouco pode ser combatido com medidas simbólicas.

Justiça, Reparação e Saúde Mental

A resposta da família não ficou só na indignação. A mãe já acionou uma advogada e entrou com ação judicial por danos morais. “Infelizmente, esse tipo de pessoa só entende quando sente no bolso. O que fizeram é crime”, afirma com firmeza.

Além disso, buscou suporte psicológico para a filha, que segue frequentando a escola, com apoio da família e de colegas que a acolheram. “A gente conversa muito com ela. Sempre falamos que ela é linda, que Deus fez cada um de um jeito. Ela é maravilhosa como é”, diz a mãe, em um testemunho de cuidado, amor e resistência negra.

Ser Negra no Brasil e no Sul: Conversas Que Vêm do Berço

Para essa família, a luta antirracista é vivida no cotidiano. A mãe conta que a educação racial em casa acontece desde cedo. “A gente sempre conversou sobre isso, desde o berço. A gente sempre fala do cabelo dela, do corpo dela, do quanto ela é linda. Ela sabe disso.”

Ser negra no Brasil é sobreviver a violências invisíveis e explícitas. Ser negra no Rio Grande do Sul é viver sob a sombra de um estado que ainda ocupa o topo das estatísticas de preconceito racial com uma população negra que muitas vezes é silenciada, invisibilizada e violentada em ambientes que deveriam acolher, como a escola.

Precisamos Falar Sobre Justiça Racial

Este caso não é isolado. É mais um grito no silêncio de muitas outras vozes negras silenciadas nas salas de aula, nos grupos de WhatsApp, nos corredores escolares. É preciso agir judicialmente, mas também pedagogicamente, com políticas antirracistas permanentes, com formação contínua para educadores e com um compromisso real das instituições de ensino.

A adolescente ferida não é apenas uma vítima ela é um símbolo. Um corpo negro que venceu, que brilhou e que, por isso, despertou o ódio de quem não suporta ver a beleza e potência negra ocupando espaços de destaque.

Ela venceu. E isso doeu nelas.

Mas para cada ataque racista, que a justiça seja implacável.

E que o amor, o cuidado e a luta das famílias negras sigam como trincheiras da nossa resistência.

FONTE/CRÉDITOS: Lana Helen/Thiago Trein
FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): Thiago Trein
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Thiago Trein

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Thiago Trein

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