Julho é delas.
Julho é nosso.
Julho é preto, é forte, é ancestral.
E não começou de cima pra baixo, não. Começou como tudo que é revolucionário nesse país: do chão, do corpo preto, da mulher preta que resiste, sonha e constrói com as próprias mãos.
Foi em 1992, na República Dominicana, que mulheres negras da América Latina e Caribe se reuniram pela primeira vez em um encontro histórico. A partir dali, ficou marcado: 25 de julho é o Dia da Mulher Afrolatino-americana, Afrocaribenha e da Diáspora. Aqui no Brasil, essa data carrega também o nome de uma gigante: Tereza de Benguela, a rainha quilombola que comandou o Quilombo do Quariterê por mais de 20 anos no século 18. Uma mulher preta, líder, estrategista e símbolo eterno de luta e liberdade.
Mas foi em 2013, em Salvador, na Bahia, que o Julho das Pretas nasceu como movimento.
Cansadas de homenagens vazias e discursos que não mudavam em nada a vida real das mulheres negras, o Odara – Instituto da Mulher Negra chamou outras organizações pra fazer barulho de verdade. Começaram ali, no boca a boca, marcando uma agenda que fosse nossa, preta, feminista e popular.
E foi aí que surgiu o nome que hoje ecoa em todo o país: Julho das Pretas.
A ideia era simples, mas potente: "ninguém faz nada sozinha. No dia 25 estamos todas juntas, e o mês inteiro é nosso palco." Começou pequeno, só na Bahia, mas já com força ancestral. E o que era semente virou floresta. Hoje, é a maior agenda política das mulheres negras no Brasil.
De 10 atividades em 2013 para mais de 500 em 2023.
São organizações de 21 estados, com mais de 230 grupos de mulheres negras envolvidas, somando ações em escolas, espaços públicos, comunidades, redes sociais. E sempre com temas urgentes: reparação histórica, bem viver, enfrentamento ao racismo, justiça ambiental, educação, saúde, cultura e território.
O Julho das Pretas é revolução cotidiana. Ele não pede licença. Ele ocupa, propõe, denuncia e transforma. Ele mostra que quando mulheres negras se movimentam, todo o país balança.
E não dá pra falar dessa história sem falar do Nordeste.
Foi de lá, da Bahia, da terra de Dandara, Luiza Mahin e Lélia Gonzalez, que essa maré começou a subir. Porque como disse Valdecir Nascimento, uma das fundadoras do Odara:
“É importante demarcar o Nordeste ao falar do nascimento do Julho. A gente constrói da simplicidade à complexidade. A gente sabe que está por nossa conta e todo dia apresentamos soluções pra um Brasil melhor pra nós, mulheres negras, e pra toda a sociedade.”
A Rede de Mulheres Negras do Nordeste (RMNNE) nasceu junto com esse movimento, em 2013, e segue firme até hoje, conectando mais de 100 lideranças negras de 9 estados do Nordeste. Mulheres que se encontram, planejam, diagnosticam, apontam caminhos com afeto, com estratégia e com coragem.
Julho das Pretas é mais que uma agenda. É memória viva. É futuro em movimento.
É por isso que hoje, 01/07/2025, a gente abre mais uma edição com a mesma chama acesa: a do cuidado, da escuta e da presença. Porque matripotência é isso: o poder que nasce da nossa existência coletiva.
🌻 ABERTURA DO JULHO DAS PRETAS – TE ESPERAMOS!
✨ Roda de Conversa Matripotência – Yabas e o Meio Ambiente
📍 Biblioteca Pública do Estado
📍 Rua Riachuelo, 1190 – Centro Histórico, Porto Alegre – RS
⏰ Hoje, 01/07, às 17:30h
Esse é um espaço histórico, dirigido pela primeira vez por uma mulher preta.
Um espaço de luta, mas também de acolhimento, troca e ancestralidade.
Vem com a gente construir esse Brasil que queremos.
Julho é das Pretas. Julho é nosso.
E só é potente se for com você. 🖤🌿
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