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Sexta-feira, 14 de Agosto de 2026
Maria Felipa:

Geral

Maria Felipa:

o fogo que libertou e a memória que nos guia

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Com grande força e emoção celebramos Maria Felipa de Oliveira, mulher preta, estrategista e símbolo da resistência na Bahia, neste Julho das Pretas. Sua história pulsa como um hino de vitória e luta.

Nascida na Ilha de Itaparica, era marisqueira, pescadora, ganhadeira e capoeirista — mulher preta liberta, alta, corpulenta e astuta.

Seu nome surge no imaginário popular, mas também encontra respaldo em documentos do século XIX: em 1834, um registro aponta uma “Maria Felipa” vivendo na Rua da Gameleira, em Itaparica.

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Por volta de 1822–1823, ela mobilizou cerca de 40 a 200 pessoas, entre mulheres negras, indígenas e pescadores, para defender Itaparica e cortar os suprimentos portugueses.

Utilizando saias rodadas como disfarce para facas, montava trincheiras, vigiava praias e fornecia mantimentos aos combatentes do Recôncavo.

Em episódios lendários, ela e seu grupo atraíam marinheiros (por meio de bebida ou disfarce), usando folhas de cansanção, planta urticante, para causar ardência e, em seguida, agredi-los.

Depois, incendiavam embarcações portuguesas como a Canhoneira Dez de Fevereiro e o navio Constituição, ações decisivas para enfraquecer o inimigo.

Apesar do apagamento inicial, sua memória resiste por meio da oralidade, da historiografia e heroísmo coletivo. Autores como Ubaldo Osório e Eny Kleyde Vasconcelos Farias recuperaram sua trajetória.

Em 2008, seu rosto foi incorporado ao cortejo do 2 de Julho; em 2018, foi decretada Heroína da Pátria e incluída no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria.

Em julho de 2023, Salvador inaugurou uma estátua de bronze na Praça Maria Felipa, em frente à Baía de Todos os Santos, simbolizando o reconhecimento que há muito se fazia necessário.

Maria Felipa nos ensina que a resistência do povo negro, feminino e popular foi decisiva para moldar o Brasil. Sua jornada é, acima de tudo, uma celebração do poder coletivo: mulheres que usam inteligência estratégica, força, táticas de guerrilha e coragem para derrubar o poder colonial. Hoje, ela é inspiração viva para nosso time e para toda comunidade educativa, representando:

1. Resistência ativa: enfrenta opressões com sabedoria, não apenas força bruta.

2. Empoderamento feminino preto: mostra que liderar é influência, coragem e estratégia.

3. Memória e educação: sua história recuperada nos fortalece para construir um futuro consciente e plural.

Que neste Julho das Pretas, Maria Felipa nos inspire a construir narrativas de vitória: histórias que integrem educação, sensibilidade e o protagonismo das mulheres negras como motor libertador. Que cada aula seja um ato de fortalecimento coletivo, guiado por seu exemplo.

Viva Maria Felipa! Viva as pretas resistentes e históricas que constroem nossa liberdade!

 

FONTE/CRÉDITOS: Thiago Trein
FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): Filomena Orge
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Thiago Trein

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