Com grande força e emoção celebramos Maria Felipa de Oliveira, mulher preta, estrategista e símbolo da resistência na Bahia, neste Julho das Pretas. Sua história pulsa como um hino de vitória e luta.
Nascida na Ilha de Itaparica, era marisqueira, pescadora, ganhadeira e capoeirista — mulher preta liberta, alta, corpulenta e astuta.
Seu nome surge no imaginário popular, mas também encontra respaldo em documentos do século XIX: em 1834, um registro aponta uma “Maria Felipa” vivendo na Rua da Gameleira, em Itaparica.
Por volta de 1822–1823, ela mobilizou cerca de 40 a 200 pessoas, entre mulheres negras, indígenas e pescadores, para defender Itaparica e cortar os suprimentos portugueses.
Utilizando saias rodadas como disfarce para facas, montava trincheiras, vigiava praias e fornecia mantimentos aos combatentes do Recôncavo.
Em episódios lendários, ela e seu grupo atraíam marinheiros (por meio de bebida ou disfarce), usando folhas de cansanção, planta urticante, para causar ardência e, em seguida, agredi-los.
Depois, incendiavam embarcações portuguesas como a Canhoneira Dez de Fevereiro e o navio Constituição, ações decisivas para enfraquecer o inimigo.
Apesar do apagamento inicial, sua memória resiste por meio da oralidade, da historiografia e heroísmo coletivo. Autores como Ubaldo Osório e Eny Kleyde Vasconcelos Farias recuperaram sua trajetória.
Em 2008, seu rosto foi incorporado ao cortejo do 2 de Julho; em 2018, foi decretada Heroína da Pátria e incluída no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria.
Em julho de 2023, Salvador inaugurou uma estátua de bronze na Praça Maria Felipa, em frente à Baía de Todos os Santos, simbolizando o reconhecimento que há muito se fazia necessário.
Maria Felipa nos ensina que a resistência do povo negro, feminino e popular foi decisiva para moldar o Brasil. Sua jornada é, acima de tudo, uma celebração do poder coletivo: mulheres que usam inteligência estratégica, força, táticas de guerrilha e coragem para derrubar o poder colonial. Hoje, ela é inspiração viva para nosso time e para toda comunidade educativa, representando:
1. Resistência ativa: enfrenta opressões com sabedoria, não apenas força bruta.
2. Empoderamento feminino preto: mostra que liderar é influência, coragem e estratégia.
3. Memória e educação: sua história recuperada nos fortalece para construir um futuro consciente e plural.
Que neste Julho das Pretas, Maria Felipa nos inspire a construir narrativas de vitória: histórias que integrem educação, sensibilidade e o protagonismo das mulheres negras como motor libertador. Que cada aula seja um ato de fortalecimento coletivo, guiado por seu exemplo.
Viva Maria Felipa! Viva as pretas resistentes e históricas que constroem nossa liberdade!

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