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Segunda-feira, 04 de Maio de 2026
Quilombo:

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Por mais de 100 anos, negras e negros escravizados construíram no Brasil uma das maiores experiências de liberdade da história das Américas: os quilombos. Lugares de fuga, mas também de criação. Eram territórios onde se negava a lógica escravista e se construíam novas formas de vida, baseadas na solidariedade, na coletividade e na resistência. Palmares, o mais conhecido, foi mais do que um refúgio — foi uma república, um Estado paralelo que desafiava diretamente o sistema colonial.
 
Como explica Clóvis Moura, o quilombo não era apenas uma resposta à escravidão, mas a base de um projeto político alternativo. Enquanto a classe dominante construía uma sociedade marcada pela violência, racismo e exploração, os quilombolas se organizavam com suas próprias formas de economia, agricultura, defesa e convivência social. Uma verdadeira contradição ao modelo opressor.

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Os quilombos reuniam africanos de várias etnias, indígenas, foragidos e pessoas de diversas origens que se uniam contra um sistema que os desumanizava. Essa união criava novas culturas, novas formas de viver, de plantar, de decidir. A agricultura era coletiva, diversificada e voltada para a autonomia — bem diferente das monoculturas voltadas para o lucro do senhor de engenho.
 
A estrutura dos quilombos também incluía alianças com outros grupos marginalizados, inclusive com contrabandistas e faiscadores de ouro. Essas alianças fortaleciam a resistência. Existia ali uma economia própria, uma produção de armas e táticas de guerrilha para se proteger dos constantes ataques do Estado colonial. Era a organização da liberdade.
 
Frantz Fanon, no livro Os condenados da Terra, nos ajuda a entender o papel da violência nesse processo. Ele afirma que, enquanto a violência do opressor visa manter a dominação, a do oprimido busca romper com essa lógica, humanizar-se, recuperar a dignidade. Foi isso que os quilombolas fizeram: se rebelaram não por ódio, mas por um desejo profundo de existir plenamente.
 
 
Palmares, no alto da Serra da Barriga (hoje em Alagoas), simboliza esse sonho coletivo. Lá, africanos, principalmente do povo Bantu, indígenas e outros grupos construíram uma sociedade autônoma. Caçavam, pescavam, plantavam, compartilhavam os frutos do trabalho. Tinham estratégias políticas e militares para defender seu território. Viveram assim por mais de um século.
 
O medo que Palmares provocava na elite colonial não era só pelo confronto armado, mas pela ameaça simbólica: a prova viva de que outro mundo era possível. Esse medo atravessou os séculos — primeiro com a revolução do Haiti, depois com o temor de alianças entre comunistas e povos em luta por liberdade. O que assusta os poderosos é sempre a possibilidade real de transformação.
 
Hoje ainda quero falar com vocês sobre territórios, isso precisa ser amplamente conhecido e respeitado, então é preciso olhar o passado, e lembrar que Palmares e os quilombos é mais do que um ato de memória. É afirmar que ainda podemos aprender com essas experiências e criar, de novo, o novo. Não copiando o passado, mas recriando caminhos de liberdade a partir dele.
 
Como canta Don L:
“Hoje eles que morrem pela boca /
Que se foda seus dólares na bolsa /
Suas empresas agora são do povo /
Suas terras são floresta de novo…”
Essa é a voz de quem ainda resiste.
Essa é a força de quem nunca deixou de lutar.
 
FONTE/CRÉDITOS: Thiago Gomes
FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): Reprodução da Internet
Comentários:
Thiago Trein

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Thiago Trein

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