O Dia dos Namorados costuma ser uma data cercada por flores, declarações e histórias de amor.
E eu acredito que o amor merece, sim, ser celebrado.
Mas talvez também seja um bom momento para fazer uma pergunta importante:
O que estamos chamando de amor?
Porque nem tudo o que se apresenta como amor realmente é.
Existe uma diferença entre cuidado e controle.
Entre presença e vigilância.
Entre parceria e posse.
Entre amor e medo.
Durante muito tempo, aprendemos a romantizar comportamentos que deveriam nos preocupar.
O ciúme excessivo foi chamado de prova de amor.
O controle foi confundido com cuidado.
O afastamento de amigos e familiares foi interpretado como demonstração de importância.
A invasão da privacidade virou sinal de interesse.
E, aos poucos, muitas pessoas passaram a acreditar que sofrer por amor era algo normal.
Mas amor não deveria exigir que alguém abrisse mão da própria liberdade.
Amor não deveria diminuir, humilhar ou machucar.
Amor não deveria provocar medo.
Quando uma relação nos faz viver em constante estado de alerta, insegurança ou sofrimento, talvez seja preciso olhar para ela com mais honestidade.
Infelizmente, todos os anos, mulheres perdem suas vidas em relacionamentos marcados por violência.
E antes que a violência extrema aconteça, muitas vezes existem sinais que foram ignorados, minimizados ou até romantizados.
Por isso, falar sobre amor também é falar sobre respeito.
Sobre autonomia.
Sobre segurança.
Sobre dignidade.
Neste Dia dos Namorados, talvez a pergunta mais importante não seja quem nos ama.
Talvez seja:
Esse amor me fortalece ou me adoece?
Porque amor de verdade não aprisiona.
Amor de verdade não controla.
Amor de verdade não machuca.
E quando machuca, precisamos ter coragem de parar de chamar isso de amor.
Com carinho,
Gisa Galaverna ⚓
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