Dia 7 de junho de 2025, no Morro do Santo Amaro, no Rio de Janeiro, uma festa junina se tornou palco de horror. Herus, 24 anos, office-boy, pai de um filho de dois, saiu para comprar um lanche e foi alvejado no abdômen durante uma operação do BOPE. A mãe, Mônica, assistiu ao filho ser arrastado, enquanto ele morria próximo a crianças, adultos, em cena de pânico total.
O que é isso, senão racismo estrutural em ação? Um corpo negro identificado como ameaça, mesmo em meio às fantasias brilhantes de uma festa comunitária e um corpo desprotegido, ignorado em seus gritos por ajuda humana. “Eles não viram as fantasias brilhando?”, pergunta a mãe, entre lágrimas e com isso denuncia o olhar policial que enxerga apenas perigo.
A resposta do Estado, até agora, foi: exonerações e afastamentos dos oficiais, perícia paralela conduzida pelo Ministério Público e apreensão das câmeras corporais. Mas tudo isso não redime o peso de um filho negro morto por quem deveria proteger. Transformar essa tragédia em justiça exige mais do que repúdio: exige revolução no olhar das forças de segurança.
É isso que a nota do Ministério dos Direitos Humanos lembra com veemência: “a urgência de repensarmos as práticas de segurança pública em territórios historicamente vulnerabilizados” favelas e periferias marcadas por vidas negras que são tomadas pelo Estado, em vez de serem protegidas.
Que essa dor não se dissipe em notas oficiais nem manche sua urgência nos corredores da burocracia. Que ela ecoe nas escolas de formação policial, que passem a priorizar uma educação humanista e antirracista, que enxergue corpos negros não como suspeitos por natureza, mas como vidas com nome, história e dignidade.
É essencial que a investigação garanta transparência em cada eixo: perícia, testemunhos, cômodo por cômodo, câmera por câmera. Que todos os responsáveis por atirarem e por ignorarem sejam responsabilizados. Mas, sobretudo, que os protocolos mudem: em festas, em favelas, em momentos de alegria comunitária, o Estado deve agir com inteligência, diálogo e humanidade nunca com munição apontada.
Enquanto isso, famílias choram, e um neto de dois anos cresce sem conhecer seu pai. A presença do Estado não pode continuar significando, para muitos, a ameaça constante à vida. É tempo de dizer, com firmeza:
Chega!
Não mais tiros em corpos negros!
Não mais mortes em nome de combate ao crime!
Segurança com justiça, proteção com equidade, atuação com humanidade!
Justiça para Herus! Justiça para todos!
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