Porto Alegre conquista prêmio nacional por compromisso com a educação antirracista
Reconhecimento celebra o fortalecimento das relações étnico-raciais nas escolas públicas e a importância do Selo Petronilha como instrumento de reparação histórica e social.
Em um marco histórico para a educação e para a luta antirracista, Porto Alegre foi reconhecida nacionalmente pelo Ministério da Educação (MEC) por suas práticas na promoção da Educação das Relações Étnico-Raciais (ERER) e da Educação Escolar Quilombola (EEQ). A cidade foi uma das 20 redes públicas de ensino do país premiadas no edital do Selo Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva, uma iniciativa que simboliza não apenas excelência, mas também compromisso com a reparação social, histórica e cultural no Brasil.
A conquista não é apenas um prêmio: é a afirmação de um trabalho consistente e transformador que vem sendo realizado pela Secretaria Municipal de Educação (Smed) ao longo dos últimos três anos. Por meio de formações continuadas, investimentos em materiais pedagógicos e da criação dos Espaços Educativos Afro-Brasileiros e Indígenas (EEABIs), Porto Alegre tem se tornado referência no desenvolvimento de práticas pedagógicas que valorizam as culturas negra, indígena e quilombola.
O que significa o Selo Petronilha?
O Selo Petronilha é muito mais do que uma certificação. Ele carrega o nome e o legado da professora, pesquisadora e doutora Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva, referência nacional na luta pela implementação da Lei 10.639/03, que torna obrigatório o ensino de história e cultura afro-brasileira e africana nas escolas. Concedido pela Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (Secadi/MEC), o selo reconhece os municípios que não apenas cumprem, mas abraçam com seriedade e profundidade a missão de construir uma educação antirracista, inclusiva e plural.
Mais do que um prêmio, o selo representa um pacto coletivo pela superação do racismo estrutural, uma resposta concreta a séculos de apagamento, exclusão e invisibilização das histórias e culturas de povos negros, indígenas e quilombolas no currículo escolar brasileiro.
Um prêmio que reverbera transformação
“Em março já havíamos recebido o Selo Petronilha, e agora, com este prêmio, nosso compromisso com a educação das relações étnico-raciais se consolida ainda mais. É uma vitória de toda a comunidade escolar e da cidade de Porto Alegre”, comemora o secretário municipal de Educação, Leonardo Pascoal. Segundo ele, o valor de R$ 200 mil será integralmente investido no fortalecimento dos EEABIs, potencializando as ações pedagógicas que já vêm sendo desenvolvidas nas escolas municipais.
Para a coordenadora da Unidade de Programas Educacionais da Smed, Adriana Garcia Nunes, o reconhecimento tem um significado ainda mais especial:
“Estarmos entre as 20 redes de ensino premiadas no Brasil é uma honra gigantesca, especialmente por sermos a cidade natal da dra. Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva. Este prêmio reafirma a importância dos espaços educativos afro-brasileiros e indígenas, que são ferramentas essenciais na construção de práticas antirracistas e na valorização das identidades e culturas negras, indígenas e quilombolas.”
Porto Alegre, território de resistência e reparação
Este prêmio é mais do que uma conquista institucional. É um reflexo de décadas de luta de professores, movimentos negros, coletivos, lideranças indígenas, quilombolas e da sociedade civil que, incansavelmente, defendem uma educação que represente e respeite a diversidade do povo brasileiro.
Ao ser premiada, Porto Alegre não apenas celebra, mas também reafirma seu compromisso com uma educação que cura, repara e transforma. Uma educação que honra os ancestrais, dá voz às crianças negras e indígenas e constrói, todos os dias, um futuro onde o racismo não tenha mais espaço.
O Selo Petronilha não é um ponto de chegada, mas um marco que impulsiona Porto Alegre a seguir adiante, com mais força, mais responsabilidade e mais esperança. Porque construir uma sociedade justa, plural e verdadeiramente democrática começa e continua na sala de aula.

FONTE/CRÉDITOS: Orlando Moraes / Bianca Dilly
FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): IFES
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